Muito mais do a Torre Eiffel ( mas ela é lindaa)

 
 

Não consigo contar as histórias em ordem cronológica. Vou fazer do meu jeito e contar primeiro as coisas que considerei mais interessantes.

 

Não que ter pulado o muro do castelo de Sintra seja menos interessante, ou que a nossa experiência de termos ficada perdidos por mais de quatro horas em Barcelona, sem entender Catalão, seja menos interessante, mas Paris é realmente incrível e é por aqui que vou começar.

Chegamos às 23 horas e tudo que sabíamos era que o metro funcionava por mais uma hora. Cheios de mochilas penduradas e sem falar Francês, partimos em direção a Saint Denis. Bairro onde ficava nosso hotel.

 

Reservamos hotéis relativamente baratos, mas quase todos da Rede Formule 1 para tentar garantir alguma qualidade.

Quando chegamos no tal bairro nos deparemos com um lugar praticamente deserto. Sabe aquelas coisas que as pessoas contam sobre lugares onde móveis e eletrodomésticos são largados na rua? É lá em Saint-Denis mesmo! Ruas cheias de móveis abandonados e também mendigos. O medo de andar num lugar estranho e quase deserto nos fez andar muito mais do que o necessário para chegar ao hotel.

Saint-Denis faz parte do subúrbio de Paris, lá moram imigrantes africanos e também muçulmanos. Era outro mundo. Passeávamos por Paris visitando Museus maravilhosos, lugares incríveis como os Jardins de Luxemburgo, que para mim é a visão do Céu, e de noite andávamos por um bairro totalmente diferente de tudo que eu já tinha visto. Parecia a África (ou o que eu imagino da África!) mulheres com bebezinhos amarrados das costas, e muitos, muitos moradores com roupas africanas mesmo. Um lugar praticamente só de negros.

 

Ao contrário do que muitas pessoas nos disseram, os franceses são muito receptivos e Paris é uma cidade onde qualquer pessoa consegue se sentir bem. Tudo é preparado para o Turismo. Caminhamos por vários lugares que não estavam indicados como os mais legais e todos os cantinhos da cidade nos surpreenderam.

Amei Paris.

 

Se for a Paris não esqueça de conhecer o Museu de Ciências Naturais, os Jardins de Luxemburgo, o Museu de Cera e o imperdível Louvre.

Não precisa subir na Torre Eiffel, tem um Roda Gigante que mostra toda a cidade e que quase não tem fila, além de custar à metade do preço.

Outro lembrete: a água que eles tomam é horrível! E o crepe também é ruim.

           Viagem dos sonhos

 

 

 

Quando planejamos a nossa viagem dos sonhos só pensávamos nos pontos turísticos que iríamos conhecer. Mas posso adiantar que todos são exatamente como já imaginávamos. O melhor da viagem foram às pessoas, as comidas, as surpresas, os lugares que não imaginávamos conhecer.

 

 Nós quatro preparamos um roteiro que contemplasse os desejos de cada um. Para mim era impossível não passar em Portugal para ver e abraçar a Talita e também na Espanha (para realizar o meu sonho). E eu estava certa! A Espanha é tudo de bom e segundo o Eder eu deveria ter nascido lá. O restante do roteiro foi para realizar o sonho dos outros três viajantes.

 

 Além de Lisboa, Madri e Barcelona, conhecemos Interlaken na Suíça, Roma, Nápoli, Veneza, Florença e a Ilha de Capri na Itália, também o Vaticano (é tão pequeno que convenhamos, não conta como outro país né?!) e o lugar que merece uma outra viagem: Paris. Foram 25 dias comendo coisas estranhas, vendo pessoas interessantes, observando o cotidiano de lugares inesquecíveis. Por exemplo, Barcelona funciona 24 horas, mas em Interlaken a vida pára às 17h30.

Eu poderia retomar os textos do Blog falando da viagem. Afinal de contas foram seis países e muitas histórias para contar! Mas vou recomeçar do dia que perdi a vontade de escrever. Tem duas coisas que me bloqueiam: falta de amor e tristeza.

 

O dia do Adeus

 

Quando ela ligou para contar eu já sabia. Quanto se conhece uma pessoa há muito tempo sabemos o que ela quer quanto o telefone toca. E a minha amiga precisava de um abraço forte. O pai dela tinha morrido depois de uma longa permanência no hospital. Acontece que ele não ficou simplesmente doente e foi para o hospital.

 

Quando conheci a minha amiga, há uns 12 anos atrás, logo fiquei sabendo do problema do pai dela. Ele era alcoólatra.  

Quando alguém na família tem essa doença todos sofrem e na família dela não foi diferente.

Só conheço duas pessoas que nunca perdem a esperança: minha avó e a minha amiga em questão, e as duas têm e tinham familiares que sofriam do mesmo problema.

Estes dias a minha mãe falou uma coisa muito coerente. Disse que pessoas que tem esse destino desgraçado, envolvimento com drogas, sempre tem alguém para aliviar esse sofrimento. E no caso do pai da minha amiga ele teve uma filha com o dom de amar de forma incondicional.

 

No momento ela acha que devia ter aproveitado melhor o tempo que teve com ele ou que agora que ele estava curado do alcoolismo não merecia um fim tão duro, mas ela tem que saber que ela foi à melhor filha, amiga e companheira que ele teve.

 A dor vai ficar, mas a vida continua. Conte comigo sempre!

O que ficou sem dizer

 

Tem horas que a gente nota que não pode mais deixar de ouvir o que o coração insiste em dizer. Muitas e muitas coisas jamais serão ditas. No máximo escritas e não enviadas. Falo principalmente das relações amorosas, mas também não esqueço que às vezes falar com a família pode ser mais difícil ainda.

 

Pensando em tudo que escutei atentamente de uma amiga hoje (ela adora quando falo dela aqui!) e pensando que ouvi mais do que uma amiga: ouvi seu coração.

Posso afirmar: quando as palavras saem com tanta sinceridade (por mais absurdas que pareçam) acho que devemos pensar se vale à pena deixar nossas palavras trancadas naquele baú que todo mundo tem, chamado “O que ficou sem dizer”.

 

Amiga, manda essa aqui pra ele logo!

“Um dia eu vou estar à toa
E você vai estar na mira
Eu sei que você sabe
Que eu sei que você sabe
Que é difícil te dizer
O meu coração é um músculo involuntário
E ele pulsa por você

Eu tinha razão!

 

 

A gente fica muito mais triste no inverno. Essa é a impressão que eu tenho. Até consigo pensar em coisas boas: Chocolate quente, dormir com um edredom bem quentinho. O problema é que até o chocolate ficar pronto a gente passa muito frio preparando e até a cama toda esquentar mais frio ainda. E ainda no meio da noite se esticar as pernas vamos encontrar um pedaço da cama ainda gelada.

Existe até uma doença: Depressão de inverno. Tenho todos os sintomas!

Passo o inverno todo procurando um cantinho que pegue sol...

Sinto sono o tempo todo ( principalmente quando chove muito)

Não tenho vontade de fazer nada ( isso inclui estudar para o Mestrado!)

Agora a pouco ouvi um relato desesperado sobre o frio. Uma mireira que está morando aqui desde março e que não agüenta mais o frio. 

- Aqui é muito triste. Chove muito, a casa fica úmida, as roupas não secam, a gente fica gripada o tempo. Tive que comprar muitas roupas para suportar essa temperatura e até um fogão a lenha. Estou atordoada! Não dá mais para ficar aqui. Vou voltar para Minas com o meu filho nem que eu tenha que me separar no meu marido.

Nossaa! Fiquei impressionada com o desespero dessa moça. Eu não gosto do inverno, mas ela estava transtornada pelo frio.

Não desista assim

 

 

 

Não posso negar que já conhecia a história dele há algum tempo. Descobri o Roque no dia que o vi sem calças andando na estação do trem em Canoas. No outro dia, quando cheguei com uma calça para ele fiquei com medo de entregar e foi nesse dia que o funcionário da Trensurb me contou que aquele homem tinha perdido o rumo da sua vida. O Seu Roque tem família, mas escolheu morar onde circulam muitas pessoas todos os dias. Fiquei triste. Mas mais triste fiquei quando descobri a história completa.

 

Seu Roque, ex-professor de matemática, bateu o carro e perdeu a mulher e o filho.

Quero abrir um parêntese aqui: Quando eu falo que o amor enlouquece não estou brincando. As pessoas que amam sabem disso.

 

Hoje, passando pela estação e procurando pelo Seu Roque, pois faço isso todos os dias para ver se ele está vestindo uma roupa inteira, avistei aquele homem sujo, barbudo e provavelmente portador da doença de toque, olhando para as pessoas que desembarcam do trem como se estivesse procurando alguém. Ele ali, de pé no meio das pessoas. O que chamou minha atenção, já que o Seu Roque está sempre sentado do chão. O olhar de quem busca ver alguém que não volta mais cortou meu coração.

 

- Eles não voltarão. Crie coragem e vá para sua casa. Consulte um médico e tente suportar essa dor que tomou conta do senhor.

 

Tenho vontade de dizer tantas coisas para ele, mas é como falar para alguém que sofre por amor. Nada mais importa para ele.

Pense antes de falar!

 

 

O que acontece quando alguém vem e te coloca pra baixo? Quando alguém que não te conhece, não sabe dos seus limites, dos seus sonhos e desejos... Quando alguém que acha que é muito melhor que você aparece e acaba com o que você, com muito esforço vem fazendo?

 

Comigo o efeito não é muito legal não. Para algumas pessoas receber uma crítica sem muita razão pode até ser um incentivo para brigar ainda mais. Pular no pescoço de um e dizer: Olha seu Dr. Fulano não é nada disso! Eu leio, me esforço, fiquei um ano só estudando e não vou ficar aqui ouvindo uma pessoa sem coração e de mal com a vida me colocando para baixo.

 

Bom, mas eu não falei nada disso. Engoli a seco a minha qualificação de Mestrado. Por conta desse momento tão ruim perdi a vontade de escrever.

 

Aprendi uma coisa. Ou melhor, confirmei uma coisa. A gente não deve deixar de falar o que pensa e muito menos abandonar nossas idéias por conta de alguém que tem uma opinião contrária.

 

Para lua com o que o Dr. Fulano acha!  Tudo bem se alguém vem e crítica um trabalho, mas se essa pessoa tiver a fim de te ajudar não acha?

 

Atenção!

“As pessoas não precisam ser iguais as outras.

Aceite ou não
Mas você é única
No mundo assim
Uns são mais
Coordenados, determinados
Obcecados
E outros atrás
Vão levando a vida
E quem ousa dizer
Que é pior?
Há quem construa os aviões
Escreva as revistas
E outros dedilham violões
Eu digo
Hei!
Você que sabe tudo
Me diga como perguntar
Se eu não sei
Você que pensa
em tudo
Me
mostre o quanto pode amar" (Cidadão Quem)

 

 

Escrever faz bem pra caramba!

Sempre escrevi o que eu penso e os meus sentimentos. Isso começou muito cedo, quando ganhei meu primeiro diário. Aquele cor de rosa com chave que toda menina ganha. A chave garante que ninguém vai ler o que você escreve. Então tudo que está escrito ali não existe para ninguém só faz parte do seu mundo. Assim são os livros. “Um livro só começa a existir quando um leitor o abre”. Alberto Manguel.

No Livro Uma História da Leitura, de Alberto Manguel é possível ver uma linha do tempo das experiências de todo tipo de leitor: o encantamento com o aprendizado da leitura, a leitura compulsiva de tudo (livrinhos de escola, cartazes de rua, rótulos de remédio), o prazer de acompanhar a multiplicação dos significados de uma palavra, de descobrir o final da história. Ao narrar modificações do ato da leitura em diferentes épocas – com histórias como a do grão-vizir da Pérsia que carregava sua biblioteca quando viajava, acomodando seus livros em quatrocentos camelos treinados para andar em ordem alfabética. 

O Livro é excelente para quem gosta de história.  E vocês, o que recomendam?

 

O mesmo lugar

 

 

Ela vai voltar. Vai andar pela rua que passou quase toda a sua vida e encontrar a casa do jeito que deixou. A diferença é que estaremos todos lá para recebê-la. Vai encontrar o mesmo amor que deixou para trás. Vai sofrer por ver que as estão coisas estão iguais, vai chorar quando perceber que é verdade que as pessoas não mudam sua essência, apesar de ninguém conseguir ser igual para sempre. Vai amar ver as irmãs e os sobrinhos que não conhece.

Mas tenho certeza que aqui não mais o lugar dela. Isso me deixa triste, porque assim como ela vem vai ir embora. Vai voltar para onde seu coração está. Porque por mais que as coisas mudem o amor é o sentimento mais importante e sem ele ela vai minguar. Não vai ser a mesma Talita de sempre. Eu também não seria. O amor transforma nossa vida. Muitas vezes viver longe da pessoa que a gente mais ama é uma escolha. A única escolha possível. Mas não quero que ela tenha que escolher.  

 

Estamos te esperando, mas sabemos que o teu lugar é ai.

 

Te amo.

Ama sim!

 

 

Desconfio muito das pessoas que falam que não amam. Essas que ficam dizendo por ai que nunca vão amar ou que controlam o coração. Não acredito! E também quero deixar bem claro que não gosto daquelas outras pessoas que ficam magoando as pessoas que amam só porque tem medo dos seus próprios sentimentos e não querem assumir um relacionamento ou qualquer coisa assim.

 

Minha amiga Ângela passa longos períodos bem. Não fala do Jorge. Mas de repente o tempo começa a fica nublado, aquele domingo triste e sem nada pra fazer se aproxima e pronto! A Ângela liga para o Jorge. Liga mais não fala nada. Ele atende fala alô algumas vezes, mas não desliga. Ele sabe que é a Ângela, mas não tem coragem de perguntar. Ela fica decepcionada e desliga. Minha amiga espera que um dia o Jorge diga – Oi Ângela. Que bom que as vezes você lembra de mim. O Jorge nós não sabemos o que espera, ele não fala, não liga.... E assim minha amiga segue a vida. Com o coração cheio de lembranças e magoas. Fica dizendo aos quatros cantos que não ama que não gosta de ninguém, mas eu sei que gosta. Ama o Jorge.

 

A idade

 

 

Sabe o que a gente aprende com a idade? Que a opinião dos outros não interfere em NADA no rumo da nossa vida. Fiquei um tempão sem escrever aqui, coisa que gosto muito de fazer. Não porque considere que alguém fica lendo, ou porque quem lê gosta. Não é nada disso. Escrevo porque me faz bem, me faz feliz. Escrever organiza as minhas idéias e me ajuda a colocar pra fora sentimentos que não sei explicar.

 

E nada melhor do que está indignada para recomeçar a escrever.  Fiquei nove longos e torturantes meses só estudando para o Mestrado. Entrei de corpo e alma nesse negócio de ler, ler, ler, escrever muito até ficar com câimbra nas mãos. Mandei vários artigos (desses científicos) para revistas especializadas. Resultado: ninguém publicou nada. Alguns pediram uns retoques, outros não responderam. Mas o que me desconcentrou foi uma revista que fez duras críticas ao artigo que eu mais gosto, ao artigo que tirei minha melhor nota no Mestrado. Inclusive os caras disseram que o que eu escrevi não é um artigo e sim um relato.

 

Fiquei pensando mil coisas. Fique me sentindo uma incompetente. Mas daí eu dormi na mesma cama de sempre, ao lado do mesmo homem de sempre (que eu amo muito), falei com a minha avó na mesma hora de sempre, escrevi pra minha mãe, como sempre e pronto.

Tudo que a revista disse não vai passar de uma opinião. A minha vida continua. Eu não vou perder a vontade de estudar, de amar de ajudar o próximo porque eles não gostaram do meu texto.

 

É importante publicar, eu sei disso. Mas nem eu e nem ninguém deve ficar sofrendo quando não consegue atingir um objetivo.

A bunda é dela. O problema é dela?!

 

Eu achei que já tinha visto toda a capacidade burra das mulheres para mostrarem a bunda na televisão, mas essa cena me deixou chocada de verdade.

Não tenho como fazer uma análise melhor do que eu vi ontem. O que posso dizer é que me senti extremamente incomodada. Um mal estar tomou conta de mim quanto começou aquela cena.

 

 Pânico na TV

A “brincadeira” era a seguinte: um homem vestido de mulher colocava dois ganchos na calcinha de uma mulher e um cara com uma espécie de guindaste levantava até que a calcinha se rasgasse. Enquanto a mulher ficava ali gritando de dor o cara vestido de mulher jogava bexigas de água na cara dela. Tratando a bunda, ou melhor, a mulher de forma estúpida e com vocabulário grosseiro.

É mais uma vez a mulher sendo vista como um objeto. Quem é o público desse programa? Achar interessante ver o as mulheres serem humilhadas publicamente é ridículo. Como dizia meu avô, um desparate!

Não achei nenhuma graça em assistir mulheres em condições tão humilhantes (mesmo que sabendo que é por livre e espontânea vontade). Fico pensando sobre a responsabilidade e a ética de quem a produz esses quadros. Será que eles acham que vale tudo para conquistar audiência?  Já notamos que os programas sensacionalistas, de baixa qualidade conquistam audiência explorando a desgraça alheia e exibição de mulheres peladas.

 

Porque seminua é coisa de programa antigo!

 

O pior defeito para o coração

 

 

 

Acho que com 25 anos já sei algumas coisas sobre a vida. Pouca, mas definitivas. E o pior defeito de um homem é a covardia. Não tem nada pior para uma mulher apaixonada do saber que o cara é um bundão. Que o cidadão não tem coragem de mudar nada da vida, ou que tem medo da própria vida, do próprio destino.

 

Acho que isso é um defeito imperdoável especialmente para aquelas mulheres que se jogam de cabeça. Que querem viver o amor do jeito que ele tem que ser....

 

Estou lendo um livro – Travessuras da menina má -  e posso adiantar que o livro é excelente. Principalmente para quem gosta de romances, e para quem gosta de Mario Vargas Llosa.

 

A história do casal começa no Peru e até a metade do livro ( que é onde me encontro) já passaram por Paris e Londres. Adoro histórias de amor que tem veracidade. Amor de verdade sabe, esses que não tem nada de perfeito. Um desencontro de sentimentos o tempo todo. Porque pra mim o amor é assim. Tem momentos calmos, mas na maioria das vezes é um tormento para o coração.

 

O personagem do livro, o Ricardo, é o típico homem que tem medo de viver de verdade, de encarar a vida. Ama a menina má, mas não quer viver o que ela quer. Ama sem medidas a menina, mas não quer sair do seu mundinho. O cara ama a mulher mais do que tudo. Espera por ela anos e anos, mas quando tem que tomar uma atitude pra ficar com ela não consegue.

Sinceramente acho que não tem nada mais decepcionante para uma mulher do que isso.

A favela das maravilhas

 

Pelas minhas contas o dono da favela da novela Duas Caras, O Juvenal Antena, já contabiliza uns seis crimes. Vamos a lista:

 

- Formação de quadrilha; (aquele bando que mata e morre por ele é o que?).

- Cafetinagem; (Dono de cabaré é o que?).

- Exploração do trabalho infantil; (crianças ajudando na reconstrução de casas são o que?).

- Armamento ilegal; (arma sem procedência é o que?).

- Extorsão (comerciantes que precisam pagar pela proteção estão sofrendo de que?).

- Invasão de terras (apropriar-se de terras que tem dono é o que?).

 

Quem conhece a realidade de uma favela sabe que aquilo ali é uma piada. Acho que até mesmo aqueles que tem uma vaga noção que de num lugar abandonado pelo poder público – Já que se trata de um lugar invadido - as condições não são essas.

 

 

Na favela real falta água, luz, telefones públicos, postos de saúde, creche, comida. Têm esgoto a céu aberto, gente baleada e o pior de tudo isso: insegurança e medo.

As famílias, que na maioria são formadas por trabalhadores honestos, perdem seus filhos para o tráfico que manda no lugar. Pessoas que são obrigadas a cumprir horário de entrada e saída na própria casa. E por ai vai.   

 

Na favela Light não tem problema que o Juvenal não resolva! O que eles querem como esse personagem?

O melhor amigo das Baratas

 

 

        

Do vizinho do 201 tudo que se sabe é que ele não abre as janelas há 10 anos. Mora sozinho, não recebe visitas, não tem telefone em casa, não tem namorada. Também não tem Orkut (não com o nome que apresenta!) não tem fundo de garantia, CPF. E o mais impressionante: convive bem com as baratas. Afinal de contas muiiitas ficam saindo por de baixo da sua porta.

 

Homem alto, cabelos escuros, olhos verdes, muito magro e branco. Pelo sobrenome é descendente de Italianos. Tem mais ou menos uns 34 anos. Não emite nenhum som que possa ser ouvido pelos vizinhos. Não fala com ninguém, não reclama para a síndica.

 

 A gente pode imaginar tudo sobre uma pessoa assim. Que ele é um foragido da policia, que ele perdeu a memória e não acha a família, que tem problemas de relacionamento...

 

Não se sabe o que tem dentro do seu apartamento. A única vizinha que conseguiu ver lá dentro foi a Tatiana. Em uma das inúmeras vezes que colocou veneno de baratas na porta do vizinho conseguiu ver a porta entre aberta. Ela se deparou com paredes amareladas do cigarro e um fedor insuportável.

 

Queria escrever aqui uma versão da minha imaginação sobre esse vizinho. É estranho, mas tenho pena dele.

 

Poderia pensar muitas coisas a seu respeito. Poderia dizer que acho que ele é um maníaco, mas acho que ele é uma pessoa triste.

 

Sei que viver sozinho pode ser uma escolha dele. Pode ser que ele tenha uma vida super feliz e a gente não consiga ver isso, mas algo me faz pensar que alguém que gosta de baratas, não abre as janelas e se esconde do mundo não é assim... Muito feliz. Por isso não consigo escrever nenhuma versão do vizinho.

 

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Meu Perfil
Camila Arocha

Camila Arócha
Pernambucana, Gaúcha de Coração, 26 anos, Casada, Jornalista Mestranda em Comunicação (UNISINOS).
Gosto de escrever Histórias.

Contato:camila-arocha@terra.com.br